A introdução alimentar é caracterizada pela apresentação de alimentos de diferentes consistências ao bebê, que até então conhecia somente o leite materno ou fórmula infantil. É um momento de grande aprendizado, e deve ser conduzido com paciência, tranquilidade e manifestações positivas. A maneira como é conduzida a introdução alimentar pode influenciar a curto, médio ou longo o hábito e o comportamento alimentar. Deve-se respeitar o tempo de adaptação do bebê aos novos alimentos, assim como suas preferências e sinais de saciedade, de forma a não interferir na sua decisão de não querer mais o alimento.

O Manual de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que a alimentação complementar, embora com horários mais regulares que os da amamentação, deve permitir pequena liberdade inicial quanto a ofertas e horários, permitindo também a adaptação do mecanismo fisiológico de regulação da ingestão. Mantém-se, assim, a percepção correta das sensações de fome e saciedade, característica imprescindível para a nutrição adequada, sem excessos ou carências.

Aprender a comer alimentos sólidos faz parte do desenvolvimento, assim como sentar, andar ou falar, os bebês desenvolvem habilidades que os permitem que se alimentem sozinhos. Quando damos a oportunidade de alimentarem-se de forma independente, desenvolvem estas habilidades mais rapidamente do que os que são assistidos durante todo o processo. As habilidades relacionadas à alimentação tendem a aparecer de maneira natural. Aos seis meses de idade, a maioria dos bebês alcançam objetos usando toda a palma da mão para segurá-los e levá-los à boca com bastante precisão. Se o bebê tem a oportunidade de observar, alcançar e pegar alimentos, a levará à boca para explorá-los. O oferecimento dos alimentos em sua aparência original - cor, cheiro, forma, textura e sabor - propiciam ao bebê uma série de informações sensoriais essenciais no desenvolvimento da sua relação com os alimentos.

A Alimentação Participativa é um novo conceito em introdução alimentar, o qual vai de encontro aos Manuais Oficiais de introdução alimentar em vigor no Brasil e no Mundo. O bebê é agente ativo do processo de introdução da alimentação complementar, ainda que recebendo alimento de um intermediador. Dessa forma, a alimentação passa a ser assistida, e não passiva. Assistida pelos pais, cuidadores e professores que intermediam as preferências do bebê e o auxiliam motoramente, enquanto ele não adquire habilidade e eficiência na ingestão adequada de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, sabe-se que o sucesso da alimentação complementar depende não somente do que é servido, mas também de como, quando, onde e por quem é servido. Permitindo a exploração de alimentos, oferecemos a oportunidade do bebê conhecê-los em suas diferentes formas, cores, cheiros, texturas e sabores, além de favorecer um paladar variado e reduzir problemas futuros relacionados à alimentação.

A Esconderijo Sapeca, ciente dos benefícios da Alimentação Participativa, aplica seus conceitos desde o Berçário, onde os bebês têm a oportunidade de explorar diversos alimentos, enquanto são assistidos pelas educadoras afim de garantir a ingestão adequada. Nas demais turmas, as crianças são estimuladas à servir-se dos alimentos, descascar frutas, colher saladas e temperos na horta e participar da elaboração de receitas, estimulando-as à serem agentes ativos em sua alimentação.

 

Referências: Pandovani, 2015.