Ao estudar o desenvolvimento infantil, Freud em 1905 afirma que desde o nosso nascimento a sexualidade começa a se desenvolver. Inicialmente as sensações de prazer se dão na região da boca, denominada fase oral. O primeiro objeto de ligação afetiva do bebê é o seio materno. Nessa fase é bem esperado que o bebê leve tudo à boca, pois é assim que começará a reconhecer o mundo. Por volta do segundo ano de vida a criança inicia a fase anal, na qual a ligação afetiva se dará com o valor simbólico de suas fezes.

            À medida que a criança vai ficando mais questionadora e atenta a tudo que ocorre a sua volta, se dá a descoberta dos órgãos genitais. A partir dos três anos ela poderá iniciar os questionamentos sobre as diferenças anatômicas entre os meninos e as meninas, e posteriormente de onde vêm os bebês. Falar de sexualidade não é um tema fácil para muitos pais e educadoras, por isso é fundamental que diante dessas perguntas eles possam responder de forma simples, verdadeira e sem inventar estórias como a da “cegonha”, para que a criança consiga compreender. Outra coisa que os pais podem fazer para ter certeza do que a criança esta perguntando e pronta para ouvir, é poder devolver as perguntas para elas, por exemplo, “Qual a diferença que você vê entre os meninos e as meninas?”

            Ao entrarem na fase fálica, é comum começarem a manipulação dos órgãos genitais. Aqui os pais podem dizer que ela pode se tocar, mas que não deve fazer isso na frente dos outros. Alem disso, podem explicar que existem partes do corpo que são públicas e outras que preservamos na intimidade. Nessa fase a criança não tem malicia no ato que se mostra gostoso. Os pais devem cuidar para não proibir ou falar que é “feio”, possibilitando assim que a criança tenha um bom contato com seu corpo e a exploração de sua sexualidade.

            É importante considerar que cada criança tem sua personalidade, e devemos respeitar o tempo de cada uma em descobrir o mundo a sua volta. Como vimos, diante das curiosidades deve-se responder apenas o que foi perguntado, com uma linguagem acessível, clara e objetiva. Esses diálogos entre pais e filhos vão deixar um caminho aberto para que possam trazer suas dúvidas, curiosidades e incertezas, sempre que surgirem. Lidar com as questões sexuais de forma natural e sem tabus é o caminho mais acertivo para a formação de um adulto feliz.